"Saúde um direito de todos e Dever do Estado"


Perfil
Blig Amigos

Arquivos



16/02/2006 20:13

A ENDEMIA PAULISTANA


FONOAUDIOLOGIA - A ENDEMIA PAULISTANA
Raul Longo

O nacionalmente conhecido problema fonoaudiológico próprio dos cidadãos paulistanos, estranhamente tem apresentado características viróticas.

Anteriormente explicado e analisado por filólogos, o caso se tornou de saúde pública. Tanto assim que na última semana um dos jornais televisivos de amplitude nacional, divulgou o descaso das autoridades municipais para o tratamento de tais problemas, indicando o número de integrantes de um grupo para cada fonoaudiologista, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde. Pois a matéria acusava a inexistência desses profissionais nos centros de saúde pública daquela maior capital do país, mesmo em bairros onde a população supera o triplo do índice apontado pela OMS.

Para os cidadãos paulistanos, tais sintomas acarretam problemas para toda a vida, além da já vexatória supressão da letra "S" em palavras a serem formadas no plural, como o famoso: "Três pastel". Ou da inclusão do mesmo "S", quando a palavra deveria vir no singular, como no pedido de "Um chopps".

J.B. Ferreira (27 anos) relata suas dificuldades: "- Sabe como é: aqui na Bahia você tem que falar como baiano, senão no comércio sempre te cobram mais caro. No começo sofri muito. A primeira vez que fui a um açougue comprar carne para bife, o baiano me perguntou: `- Chã de dentro, chã de fora, ou paulistinha? (no vocabulário paulista: Colchão Mole, Colchão Duro e Patinho). Respondi rápido: `- Não senhor, eu sou daqui mesmo!´ Pronto, paguei pelo bife o preço de um vatapá. Mas fui treinando e peguei o jeito. Já sei até o alfabeto: Fê, lê, mê, nê, rê, si (a pronúncia das letras efe, eme, ene, erre e esse no estado da Bahia). Só que na hora de ir pra um bar ou pastelaria, não tem jeito. Gasto um dinheirão só para tomar um chopps e comer dois pastel."

No entanto, as dificuldades de J. B. parecem não comover o prefeito de São Paulo que já foi Ministro da Saúde. Segundo sua assessoria, os familiares do prefeito já estão pesquisando uma alternativa "genérica" e só se desenvolvida antes de seu afastamento do cargo para concorrer à presidência da república, as medidas serão tomadas, ou melhor, prescritas.

Enquanto isso, o vírus que provoca a distorção de pronúncia da laboriosa população demonstra-se ser mutante e progressivo, pois agora já não apenas suprime o "S" final nos plurais, mas inclusive o inicial de certas palavras. Ainda não se verificou em todas, mas tem sido recorrente e amiúde na pronúncia do sobrenome do próprio prefeito: ao invés de o chamarem de José Serra, os paulistanos insistem em referir-se ao José Erra.

Preocupadas, as autoridades nacionais de saúde temem que o surto assuma caráter epidêmico e se alastre às outras regiões do país, pois no interior do Estado de São Paulo já muitas pessoas não conseguem reproduzir o som correto do sobrenome do governador, chamando-o por Geraldo Ai-de-mim!

Segundo nosso correspondente: "- O cidadão paulistano tem reclamado afirmando que '- Assim não pode! Assim não dá!', numa clara alusão à máxima do ex-presidente Fernando Herroso Cardinque, ou melhor: Ferdinque Herroso Cardido. Quero dizer..."

Pedimos desculpas ao leitor, mas tivemos de interromper para remoção imediata de nosso correspondente que berrava no interior na ambulância: "- Pro Rio, não! Hospital do Rio de Janeiro não quero!"

Não percam na próxima edição: o monopólio da mídia pelo sistema hospitalar carioca. Estarrecedoras denúncias acusam os médicos de agirem como garotinhos que ao invés de atender os pacientes passam o tempo desenhando rosinhas nas bordas dos prontuários.

Raul Longo
pousopoesia@brturbo.com.br www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
88.051-001 - Floripa/SC
Fone: (48) 335-0047 -Skype: raullongo
enviada por JUNIOR SAÚDE





Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)


[#AVISO_SEMANAL#]